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VIII Trilhos dos Abutres 2018

  • 2 de fev. de 2018
  • 4 min de leitura

Hobalhamadeus, que é isto?

Dia 27 de Janeiro...

Muito já se disse sobre esta prova, muitos já se lamentaram, outros se vangloriaram, outros ainda se...qualquer coisa..., mas o fato é que nem todos a presenciaram. E isso sim, é outra coisa pois eu estiva lá!

Saio de casa cerca das 6:30 para chegar lá pouco depois das 8 horas. Embora a minha prova fosse só às 10 ainda tinha de levantar o meu kit e gosto de ver a envolvência que este tipo de evento acarreta. E este não me defraudou, de maneira nenhuma.

Vou tranquilamente e chego a Miranda do Corvo por volta das 8:10. Tinha saído de casa com uma temperatura de 2 graus que aumentou na zona de Santarém, mas a partir daí a coisa começou a descambar e andou sempre a rondar os 3 graus e o -1, temperatura esta que se fixou até à partida da prova.

Lá se deu a partida depois de ter sido confirmado que tínhamos todo o material obrigatório e a pós passado por dois locais de estágio pré partida lá fomos nós para a partida final fora do Mercado. Um local cheio de pessoas onde o speaker era nada mais nada menos que o grande Depa, speaker reconhecido em grandes e importantes provas de trail e com um palmarés em competição em inúmeras e bem difíceis provas internacionais.

Partimos...siga...

Fazemos cerca de 1,5 km ou um bocadinho mais dentro de Miranda do Corvo onde subimos e descemos e deu para começar a distanciar um pouco os atletas evitando um grande ajuntamento quando entrarmos nos trilhos. Foi um início interessante pois para além do que já disse atrás serviu também para dar a conhecer a localidade.

Começamos com estradões e passamos por dentro do Parque Biológico...subindo até ao Templo Ecuménico Universalista bastante interessante, uma pirâmide de cor alaranjada dedicada à tolerância de todas as religiões e o respeito pela diferença.

Começamos então a descer e entramos finalmente na serra "trilhável" com cerca de 6 ou 7 km nas pernas e fizemos um belo trilho acompanhando um ribeiro que ajudava a refrescar ainda mais o ambiente hehehe

Chegamos por fim ao primeiro abastecimento que foi na Senhora da Piedade aos 13 km e com 500 e pouco de D+. Como alguma coisa naquele soberbo abastecimento, que para além de tudo quanto era necessário tinha barras de proteína da Prozis e sopa quente...formidável. Sigo até descer por um trilho bastante desnivelado onde aviam umas cordas de apoio e dou por mim a sorrir ao ver a famosa escadaria da SR da Piedade repleta de entusiastas que nos aplaudiam e iam dando ânimo e fotografavam-nos. Subo as escadas a correr e ao chegar lá a cima respiro de alívio...ufaaaa, mas aí é que eu vi que a subida propriamente dia seria a partir daí até ao acesso lá em cima...aiiiiiii, claro que já não corri hehehe. Soprei, arrastei-me, impulsionei-me, agarrei as pernas, os quadris, as rochas...tudo para me ajudar a subir. Pronto...cheguei a cima com malta a bater palmas e a gritar e a sorrir e a beberem coisas quentes e tinto hahaha, mas eram da organização.

Entramos num frenesim de trilhos muito técnicos onde se subia, subia, subia e...subia cada vez mais. Mas na companhia de toda aquela beleza natural, o Ribeiro, as inúmeras cascatas, as constantes rochas e árvores verdejantes pelos musgos que as acamam e castanho dos tons da madeira, da lama e do inverno deixam qualquer pessoa deslumbrada. São estes os verdadeiros e lindos trilhos da Lousã. Já me os tinham descrito, mas a verdade seja dita, só mesmo ao vivo, ali no terreno, cansado, com os músculos a palpitarem e a arder apesar do frio que se fazia sentir, a praguejar deliciosamente nomes que já nem lembro...sim, ali mesmo é que se pode apreciar e sentir um enorme prazer interno e sorrir tanto de cansaço como de satisfação. Poderia ficar indefinidamente por ali...

Contudo ainda continuo a subir a progredir lentamente hehehe por entre rochas, pontes improvisadas que nos faziam passar frequentemente de margem do Ribeiro. Às tantas já nem me lembro se passei pela aldeia do Cadaval antes ou durante este trilho. Mas lembro bem de todo esta maravilha que foi o trilho do Penedo dos Corvos até à famosa grande cascata do Penedo dos Corvos, trilho este com inúmeras corrente fixas nas rochas para auxiliar a progressão. Trilho muito difícil, mas intenso e quero ficar ali mesmo, sentar e olhar, abstrair-me e sonhar...mas pronto, lá tenho de seguir e o que vale é que agora voltava a subir...ui ui...e não era pouco não. Ou então era eu que já via qualquer "inclinaçãozinha" como a maior das montanhas hahaha.

E vai daqui e vai dali e entre coisa e mais coisa ainda passa por mim o Omar Garcia que corria sem travões num estradão que passamos, mas até acho que foi antes da Sr da Piedade, hobalhamadeus...estou todo atrofiado! Resultado, chego à linda aldeia de Xisto de Gondramaz cheio de gente para nos ver, onde nos é brindado mais um esplêndido abastecimento. Grande nível! Demoro-me pouco aqui e sigo ainda a comer por ali fora...agora era quase sempre com pouca altimetria, mas até ao final ainda contamos com uns belos 300 D+ e já tínhamos cerca de 1400 D+ em 23,500 km.

Até à aldeia de Espinho fizemos uma descida muito técnica onde vi vários atletas a escorregar e a caírem. mais um trilho lindo, mas perigoso pela lama e pela técnica da descida. Chegamos a Espinho e sei que apenas faltam uns 4 km...está quase!

Corto a meta em Mirando do Corvo por entre aplausos e palavras de parabéns aos 32,400 km com 5h15m, mas satisfeito, a sorrir e com a adrenalina no corpo ainda a fluir.

Terminei!

Quero mais, muito mais...adorei!

Pensava eu que já tinha feito provas muito bonitas em que dificilmente as conseguiria superar, mas esta dos Abutres foi onde encontrei o verdadeiro sentido do trail!

Hobalhamadeus, quero mais!

 
 
 

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